Não li nem quero ler

A crítica é cerrada. Faça o mesmo. (naolinemqueroler@sapo.pt)

domingo, outubro 22, 2006

Sobre as características e consequências da "poesia" de walter hugo mãe

(Caro leitor deverá ter em conta que tais características e consequências estão misturadas propositadamente. E, ainda, que qualquer semelhança com o entorpecimento causado pelo vinho barato é uma ousada interpretação dos leitores mais perversos).


Características e consequências da "poesia" de walter hugo mãe:

- a sua visão sofre perturbações

- o seu campo visual fica muito reduzido

- faz apreciações incorrectas das distâncias e da velocidade das palavras

- a sua percepção dos problemas exteriores é confusa

- o seu tempo de reacção torna-se muito longo

quinta-feira, outubro 05, 2006

Possidónio Cachapa na repartição das finanças





- Não, não, não! É assim!
- Mas olhe...
- Não, não e não! É assim!
- Pois, mas veja...
- Não, não, não, três vezes não! É assim!!! ASSIM!!!
- Claro, mas escute...
- Não! É assim! Assim! Quer que eu diga tudo outra vez desde o início?!

quarta-feira, setembro 27, 2006

O pasmo e o silêncio

Andam os nossos leitores preocupados com estes redactores. Estranham o nosso silêncio. Temem por nós. Imaginam-nos presos, abandonados às mãos de uma qualquer polícia política, daquelas bem más, vítimas das mais horripilantes torturas. Todo o país literário treme, aguarda ansiosamente nos cafés, perde a inspiração para as tertúlias da semana. E eis que eles voltam. É o júbilo geral!

Na verdade, andámos ocupados: resolvemos mudar de ares. E para variar das queijadas de Sintra, fomos ao Porto ver a cena teatral. Antes de avançar mais, avisamos já o leitor incauto e néscio quanto às lides da casa: este post é sobre o inefável, ou melhor, sobre o pasmo e o silêncio! Daquele pasmo que se lê na Llansol, do inefável que se entrevê em Agostinho da Silva, do silêncio que nos avassala na prosa mística de um Peixoto (hão-de notar o contraste entre os exemplos. Pois é, é preciso promover o rapaz, vítima recente de baixíssimos ataques, e colocá-lo ao pé dos seus semelhantes já consagrados).

Como dizíamos, foi uma aprazível excursão, com diversas peripécias no comboio e depois na própria cidade. Mas os nossos intrigados leitores querem certamente saber o que nos interessou na cena teatral do Porto. Pois bem, queríamos averiguar a arte de encenar de Ricardo Pais, director do TNSJ, tão badalado cá em baixo. Tivemos, contudo, azar, visto que este prezado artista do palco não andava envolvido em nenhuma produção do momento. Lá vimos um Genet, mas não nos conformávamos com a má-sorte. Resolvemos então fazer uma vaquinha e comprar a meias um dvd do "UMHAMLETAMAIS", de há dois anos. Enfim, um Shakespeare, e para mais pelo Ricardo Pais, seria de nos encher as medidas!

Na falta de um leitor de DVDs, passámos o resto do tempo na companhia dos mais edificantes intelectuais da praça, um dos quais será motivo de conversa por aqui, no futuro, sendo-o embora já no programa da Bárbara Guimarães, onde a maviosa voz de (bom, já adivinharam?) Daniel Jonas nos preencheu o éter televisivo de forma sublime, durante alguns minutos.

Lá regressámos e ontem marcámos o visionamento. Esclarecimentos prévios ao leitor desatento: temendo pelo nível intelectual dos conterrâneos, e num piedoso acto de levar a cultura aos pobres de espírito, Ricardo Pais havia encenado um Hamlet tradicional algum tempo antes, para as gentes se habituarem à historinha e não ficarem confusas com este "UMHAMLETAMAIS", um Hamlet electrónico, como aqueles que se fazem pela Europa fora, já desde os anos 80. E, apesar dos protestos de alguns espectadores, que continuavam sem perceber o motivo para o jovem demorar tanto tempo para se decidir a trinchar o tio, Ricardo Pais ousou e inovou! Foi o pasmo!

E eis que vimos o dvd. E fez-se silêncio. O golpe de colocar o fim no princípio foi de génio e, ainda por cima, surpreendente, visto que coisas destas são raras por aí. Do nosso prisma narratológico, a coisa ainda é melhor: arrumado o tio, vai-se a teleologia e Ricardo Pais revela-se um pícaro, um autêntico nietzschiano! Quem diria! E a música, perguntam vocês? Do melhor, dizemos nós, um bocadinho de AC/DC com New Age e umas pitadas de música de discoteca. E mais, muito mais: vídeo! Em directo! O que, aliás, faz sentido num Hamlet electrónico onde o protagonista era o actual marido da Catarina Furtado, esse brilhante actor, digno dos mais altos aplausos e habituado às câmaras. Logo se vê o olho de R. Pais, ao escolher actores desta craveira e dramaturgos como Jacinto Lucas Pires.

Mas Ricardo Pais também estava atento à tradição. Conhecia os perigos e os excessos das vanguardas. E eis que surge o mais ousado contraste: os actores. Todos estamos orgulhosos com os arrojos interpretativos dos nossos actores, visto que, ao contrário de certos dos nossos cronistas, não precisam de ir aprender a profissão a Nova Iorque. Pois bem, o audaz Ricardo Pais trocou-nos as voltas e mostrou-nos actores em modo "retro": perfeitamente tradicionais, declamando para o tecto do teatro, colocando-se de joelhos no "to be or not to be", a lágrima quase no canto do olho! Nem Olivier faria melhor! Que domínio! E que nostalgia nos deu!

Ficámos inchados de orgulho pátrio! Isto é que é um teatro nacional! Isto é que são actores como deve ser! E o encenador e director, meus caros, é uma jóia!

sexta-feira, setembro 22, 2006

COMUNICADO extraordinário da Assembleia dos Redactores:

O Sr. Fernando Venâncio apesar de ter "gostos" dúbios, (mas cada um faz o que pode para financiar o seu ganha-pão), o "Não li nem quero ler" está estupefacto com a explosão gerada no seu blog, Aspirina B.
Uma bola de neve quando desce uma montanha tem tendência a aumentar de tamanho. E os redactores apoiam muitos destes comentários: que VENHA ESSA "REVOLUÇÃO" ou esse MANIFESTO ANTI-PSEUDO INTELECTUALIDADE!!! (pois já parece ser uma classe instituída na arte, particularmente na literatura).
Os redactores estarão na fila da frente...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Ao cuidado dos animais de carga implicados





Fascinados por um pequeno "leit-motiv" por aqui deixado, os leitores deste blog entraram num delírio zoófilo digno da mais activa sociedade protectora dos animais. Interrompemos, assim, a programação habitual e deixamos uma pequena nota ao cuidado de quem se sentiu afogueado perante este assunto:

Como é sabido, e como os nossos eruditos leitores vêm lembrar, o motivo do jumento é frequente nesta nossa literatura e uma breve passagem pela literatura ocidental apenas o vem confirmar de forma ainda mais apaixonante. Os burros, jumentos, mulas, cavalos de todas as espécies, enfim, todas cavalgaduras possíveis e imaginárias (escreventes e não escreventes) foram objecto do mais profundo afecto e deleite, como o confirma uma leitura de Cervantes ou de Sterne. Por outro lado, se preferirem burros mais antropomorfizados (ou ao contrário), folheiem os sátiros. E para combinar cavalgaduras e párocos (atando dois fios que por cá passaram), nada melhor do que pensar em Yorick e com isto fica o assunto arrumado.

terça-feira, setembro 19, 2006

Caro Sr. Fernando Esteves Pinto, os redactores pedem desculpa por não lhe terem dado a devida atenção! Infelizmente andámos ocupados com assuntos menores.
Pois bem, Sr. Fernando Esteves Pinto, o "Não li nem quero ler" teve o prazer de ler umas quantas páginas do seu "romance" ? "Sexo entre mentiras" ? e parece-nos ser um texto prometedor.
Aliás, este blog encontrou um estilo muito próprio, só comparável ao da famigerada Margarida Rebelo Pinto ou, se quiser, uma sempre incansável Rita Ferro. Mas, é claro, o Sr. vai bem mais à frente com o uso do calão.
Apreciámos também a publicidade que faz às marcas de champô (Palmolive, certo?). E o tema! O tema é deveras aliciante!
Quanto às personagens e seus diálogos, já as vimos cirandar pela Revista "Maria" (cuidado, Sr. Fernando Esteves Pinto, plágio é algo de muito grave!).
Mas é possível, caro "poeta" ou "escritor", que o seu livro se torne num sucesso.
Pois, a "malta" gosta é disso!
Os redactores não se admiravam de ver o seu livro atingir os píncaros de um "best-seller"; o Sr. a receber ovações de pé em auditórios a arrebentar pelas costuras ou, ainda, a frequentar todas as capas de revista da especialidade e, se continuar, quem sabe se não terá uma estátua sua numa dessas praças principais.

(P.S. - Os redactores aconselham-no a mandar um mail ou a telefonar ao Sr. Pitta (se não tiver os dados, nós podemos fornecê-los), a dar umas pancadinhas nas costas do Sr. Walter Hugo Mãe e uns "dedos de conversa" com o Sr. Lucas Pires (e não voltaremos a dizer Jumento, para não afectar os beatos da Igreja pittiana) e nunca se sabe se os seus sonhos não se concretizam.
E olhe, caro Fernando: se os "dedinhos de conversa" com o Sr. Lucas Pires forem agradáveis, quem sabe se ele não telefona ao Sr. Ricardo Pais (aquele do teatro, para os leitores distraídos!), para que a sua "obra" ganhe vida à boca de cena.Sabe, nestas coisas da "literatura" portuguesa, não interessa muito a "obra" em si mesma. Os contactos! Os contactos é que são importantes!).

domingo, setembro 17, 2006

Dos enganos e desenganos de Eduardo Pitta, cavalheiro

A leitura tem destas coisas. Eis que estamos a ler algo e tropeçamos. É o humor, versão Baudelaire. Ri-se o outro, que (exactamente) não tropeçou. Esta semana, deu-se um grande tropeção: um crítico de alto coturno e poeta de ainda mais elevada veia laborou (por pouco tempo, admita-se) num erro de incomensuráveis proporções: tomou-nos por "fulano e beltrano (dois académicos irreverentes com experiência na bloga)". Nós por cá gostamos particularmente do "irreverentes" é expressão na moda, daquelas que se usam na televisão (do género "Rui Unas é irreverente"). Mas também cai bem entre os poetastros cá dos fóruns FNAC. Honrou-nos a associação, evidentemente.

Mas a leitura sagaz a que já habituámos os nossos leitores obrigou-nos a perscrutar os sentidos ocultos do texto de Pitta e logo ficámos a braços com uma curiosa frase: diz o autor que, após uma dica anónima, "não [se deu] ao trabalho de confirmar" a nossa proveniência, ou seja, se seríamos os ditos académicos irreverentes. Pois bem, tendo em conta a proveniência do próprio cavalheiro Pitta (entre outras coisas, é crítico literário), surgiram-nos duas interpretações possíveis, que gostávamos de submeter ao escrutínio dos nossos leitores. Hipótese 1: a confirmação, para um crítico literário, seria ler os textos em causa (os nossos) e atinar com o autor por trás do nick. Ou seja, descortinar fulano por trás de um estilo e beltrano por trás de outro. Ou, pelo menos, excluir tanto fulano como beltrano. Hipótese 2: bastaria confirmar a fonte junto dos suspeitos do costume: o proverbial telefonema ou o email inquisidor. Por outras palavras, consultar o oráculo, nas palavras de Wimsatt & Beardsley.

O nosso voluntarioso preenchimento dos espaços de indeterminação do texto de Pitta levou-nos a excluir a Hipótese 1, visto que quem faz um link, prova que esteve no local do crime. Resta-nos a Hipótese 2, que, apesar de nos deixar desconsolados, nos dá um certo alento. Expliquemo-nos, tentando não maçar o leitor: "consultar o oráculo" é visto como algo muito feio no meio académico, pelo menos desde o tempo destes já antiguinhos New Critics, já lá vão 50 anos. Precisamente, lembra-nos o leitor com o bloco de apontamentos na mão, mas Eduardo Pitta diz não ter feito isso. Perfeitamente, respondemos nós em tom de triunfo, arrepende-se de o não ter feito, de um arrependimento profundo, contrito, piedoso, numa palavra: cristão! E termina com o aforismo: "Ninguém é perfeito".

Tal acto abalou-nos profundamente e decidimos, após uma mui pia reunião, não nos lamentarmos perante a sorte académica de Pitta, após tão polémica decisão epistemológica. Em vez disso, acolhemo-lo com amor no seio de Cristo e damos-lhe o consolo com que outros não o presentearam. Bem-haja!

P.S.: Já agora, quem serão os misteriosos e inomináveis fulano e beltrano?

quinta-feira, setembro 14, 2006

Olha, o grupo do Castilho!!! - Para si, Sr. Eduardo Pitta

Sr. Eduardo Pitta, escusava de se ter dado ao trabalho de nos mencionar no seu blog; era desnecessário e impróprio para a sua condição misturar-se com redactores como nós. Em todo o caso, já tínhamos pensado em si. Por isso, cá vai...

Sr. Eduardo Pitta, os redactores tomaram a liberdade de reformular um dos seus poemas, pois parece-nos que não o trabalhou o suficiente. O seu poema aparenta estar um pouquinho desactualizado, pois as Conferencias do Casino foram há muito tempo. Mas é um lapso histórico comum nos poetas portugueses, não se preocupe com isso. Por isso, optámos por ajudá-lo a transformar o seu poema um pouco mais realista.
(Para os leitores distraídos saiba-se que em itálico encontra-se o poema de Eduardo Pitta e o resto é de nossa autoria):


A vida é uma ferida? (quando não se sabe escrever e se tenta toda a vida)
O coração lateja? (quando se junta palavrinhas em forma de poema)
O sangue é uma parede cega? (se a autocrítica esvanece)
E se tudo, de repente (lhe dissesse que escreve bem. Bem-vindo a "literatura" portuguesa).

Gostou, Sr. Eduardo Pitta!? Parece-nos que ficou bem melhor; um travo de complexidade, misturando a realidade e a desventura com uma métrica desajeitada para dar um "cheirinho" a contemporâneo.
Já agora Sr. Eduardo Pitta quantos minutos demorou a escrever esta bela "poesia"?

(P.S. Só para acrescentar que fica muito fotogénico nas suas fotografias e é pena não podermos dizer o mesmo quanto ao resto. Talvez teria uma boa carreira como modelo, talvez. Já agora, deixamos-lhe outra pergunta: E porque não mudar o seu nome para Narciso?).

quarta-feira, setembro 13, 2006




Os redactores também saem à rua e, desta vez, sem trela porque nos habituámos a não sair do passeio. Depois dos jardins resolvemos bisbilhotar os quiosques. Um dos redactores apercebeu-se que já não existe separação entre as revistas cor-de-rosa e os jornais denominados de "renome". Mas vendo bem, a mediocridade reina nos dois habitats pelo qual não faz qualquer sentido separá-los.


Aliás, o "Não li nem quero ler" aplaude entusiasticamente a crescente qualidade dos jornalistas e seus artigos. São certamente uma classe com imenso futuro histórico só pelas greves efectuadas ao longo da sua existência. Só por este motivo denotam possuir um carisma e uma personalidade peculiar. E, obviamente, pelos artigos que escrevem. Tão objectivos e imparciais que fazem inveja a qualquer outra classe trabalhadora.


De súbito, a insistência desta fotografia faz-nos pôr a pergunta:


Afinal quem é esta gaja, Limpinha de seu nome?

(mais uma promissora escritora?)

terça-feira, setembro 12, 2006

Mãe, estou em "New York"!

segunda-feira, setembro 11, 2006

Dos títulos (ou sobre a escrita excrementícia).

A liberdade de uso de títulos está inscrita na forma do livro moderno e na inerente estrutura do comércio livreiro. Há, não duvidem, um mercado de títulos. Qualquer utente beneficia de ampla liberdade de apropriação dos pronomes, os quais, rectos ou oblíquos, pessoais ou possessivos, se deixarão possuir, dóceis e contentes.
Veja-se o exemplo do título "És meu!" (Rita Ferro) bem poderia ser: "Tu que és meu, chega-te cá, deixa o livro." É a modalidade do apelo. Ou então, o da admoestação: "És meu, não acredito que tenhas posto o pé em ramo verde!" Ou do conselho, tingido de ameaça: "És meu, nem penses em pôr o pé em ramo verde." Mais subtil, ou mais sofisticada, e mal se distinguindo da anterior, a modalidade disciplinar: "És meu, com franqueza, vê se atinas!" A vulgar: "É assim: és meu!" ou "És meu, prontos!" A devoradora: "Já cá cantas, és meu!"
Vejam agora com que facilidade a gramática ajuda a progredir na discriminação de modalidades.
Desde logo, a imediata possessiva: "És meu! És meu! És meu!" Depois as várias adverbiais, entre elas: a intensiva, culta: "És deveras meu!", a inquieta - "Porventura és meu!" - a modesta - "És pouco meu!" - a arrogante - "És todo meu!" - e ainda, a consecutiva, esperançada - "Depois daquilo de ontem, és meu!"

Ou porque não sugerir um novo título para o livro: ?Sei lá? de Margarida Rebelo Pinto. Algo parecido com: A Megera Madalena Agarra-se ao Peito em brasa de Ricardo e depois Lixa-lhe a Vida toda.


(inspirado num tal de Abel Barros Baptista)

Claro está, caros leitores, que tal explanação acima descrita não se aplica apenas aos autores mencionados. Facilmente se poderia aplicar a um Jumento Lucas Pires, a um José Luís Peixoto ou a todos os seres existenciais que descarregam as suas pieguices no papel e nos dão a ler.

domingo, setembro 10, 2006

E ainda por cima traduzido no estrangeiro!

Hoje, o "Não li nem quero ler " tem uma história quase verdadeira para contar. Pois bem, ia eu (um dos nossos redactores) a descer Unter den Linden para ir tomar um "caffe-latte" numa esplanada (apesar de ser Setembro, isso só mostra a elevação deste redactor. Berlim!, dirão os leitores esmagados pelo bom gosto geográfico) - enfim, descia eu Unter den Linden, sentei-me numa esplanada para tomar um "caffe-latte" e encontrei na cadeira ao meu lado (inverosimilhança das inverosimilhanças!) um JL! A edição de Setembro e, para mais, pouco manuseada (o dono anterior devia ter as mesmas reservas que eu quanto a jornais portugueses). Normalmente diria "Irra!" e esquecia o agravo, mas, que querem, deu-me a saudade e folheei a coisa.
Pertinho do fim, já vivamente enfastiado e com o "caffe-latte" frio, deparei-me com este naco de prosa irrepreensível, de um tal de José Luís Peixoto (com obra traduzida no estrangeiro, vejam lá!, segundo a minha posterior pesquisa na net). Começava este uma crónica (a crónica, para efeitos de divulgação, chamava-se "Verdades quase verdadeiras", título inefável!) com esta inesquecível frase: "Há duas semanas, em Nova Iorque, estava a descer a 7ª Avenida, quando um amigo, que caminhava comigo me disse: há poucas maneiras piores de começar um texto do que com "há duas semanas, em Nova Iorque, estava a descer a 7ª Avenida"."
Podem imaginar o meu entusiasmo perante aquele ousado rasgo de originalidade (e notem a pontuação temerária em "quando um amigo, que caminhava comigo me disse")! O resto do texto dedica-se às elucubrações entre os dois amigos sobre se um texto com semelhante começo é kitsch ou não. E a brilhante crónica termina triunfalmente com a demonstração (a crónica em apreço) de que é possível escrever um texto sério e longe do "camp" com o referido começo. Pois bem, a argúcia deste leitor atento foi mais longe e assim se demonstra a genialidade deste jovem e prometedor autor! Ora bem, sublinhei e anotei o texto, labutei muito, suei mais, escavei-lhe as mais obscuras profundezas hermenêuticas e cheguei a isto: o amigo que acha kitsch começar um texto com "há duas semanas, em Nova Iorque, estava a descer a 7ª Avenida" é, na verdade, o próprio autor! Exactamente! Assim sendo, e invertendo toda a lógica do texto, a dita crónica é a prova cabal de que o texto é um verdadeiro monumento ao kitsch (ou ao "camp", se preferirem Susan Sontag e os Village People. Eu gosto da palavra "piroso")! O que, aliás, este leitor atento já suspeitara, passadas algumas frases. Daí o mais vivo reconhecimento por parte desta redacção pelo esforço e pela coragem de publicar um texto "pseudo-kitsch" neste afinal ilustre JL! Caro José Luís Peixoto, o senhor honra as Letras Portuguesas! Os nossos aplausos!

quinta-feira, setembro 07, 2006

Questão filosófica:



















Qual é a semelhança evidente entre estes dois belos exemplares de espécies raras?


A ambos lhes falta a consciência daquilo que fazem (ou que escrevem).

quarta-feira, setembro 06, 2006

Na defesa da primeira tese sobre o simbolismo dos electrodomésticos na obra dramática de Jacinto Lucas Pires

- Não, não, não! É assim!
- Mas olhe...
- Não, não e não! É assim!
- Pois, mas veja...
- Não, não, não, três vezes não! É assim!!! ASSIM!!!
- Claro, mas escute...
- Não! É assim! Assim! Quer que eu diga tudo outra vez desde o início?!

segunda-feira, setembro 04, 2006

Dedicado ao primeiro suplemento juvenil português





Tão Independente, tão Independente que foi ao charco.